voluntariado anónimo para pessoas reais

Divulgo novamente aqui um mail de uma amiga dum grupo de voluntariado não institucional, porque sei que estas pessoas não recebem reconhecimentos oficiais, nem medalhas e até, se calhar, às vezes, ainda são questionadas sobre o que andam a fazer, para quem, como e porquê.

Transcrição:

“Querida Família e Amigos,

Estive 2 semanas sem vos escrever. Outras mais virão, porque não me posso dar ao luxo de deixar o trabalho ficar para trás! No passado dia 10 tive reunião em Lisboa e a Natureza encarregou-se de prolongar a minha estadia até 6ª feira, dia 14.

Durante estas duas semanas, a Ana não baixou os braços e ontem, deu-me conta das recolhas e entregas efectuadas. Obrigada Ana, não te tenho valido muito ultimamente! :)

18 caixas de roupa de criança; 2 caixas de roupa de adulto; 1 cama de casal; 1 mesa de centro; 1 mesa com 6 cadeiras; 1 móvel com prateleiras; portas interiores; panelas, loiça e copos; 1 secretária com cadeira, 1 ventoinha; 1 estendal de roupa; 1 conjunto de casa de banho (bidé, lava-mãos e sanita); 250,00 euros.

Não houve ainda oportunidade para contactar a pessoa que, fazemos fé, dê emprego à Lúcia. No entanto, foi extremamente gratificante saber que, durante este tempo, andou à procura de trabalho. Apesar de extenuada e com a vida do avesso, trabalhou numa empresa de limpeza no Funchal e ainda foi para o Covão procurar emprego mais perto de casa! Grande Mulher!

A Carmen também já tem mais uma casa onde vai dar 2 dias. Por agora tem a semana preenchida. Vai ser difícil pensar em dar continuidade aos seus estudos para concluir o 9º ano. Quem sabe um dia mais tarde. É novinha, tem tempo.

Das recolhas feitas, tudo foi entregue excepto a ventoinha, o estendal e o conjunto de casa de banho.

Finalmente, a Carmen conseguiu as portas interiores para a sua casa! Ficou feliz.

O dinheiro foi “fifty fifty” para Inharrime (norte de Moçambique) e para o José.

A roupa foi distribuída por muita gente, incluindo o Centro da Mãe e a Associação de Pobres.

Sandra: Tem a quem dar este conjunto de casa de banho? Se precisar, está tudo em casa da Ana.

Bev: O que tem sido feito lá para os lados dos Britânicos?!

João Pedro: Por favor não esqueça o equipamento e a bola para o José!!!

Por favor continuem a colaborar. O que acham ser pouco, faz toda a diferença para quem nada tem ou para quem tudo perdeu. Por vezes, ponho-me a pensar, a imaginar o que seria viver sem um frigorífico, uma cama, um colchão, sem comer para alimentar os “rebentos” e, a somar, o pouco que recebem no trabalho ou a falta deste,…

Infelizmente, esta realidade está por todo o lado. São muitas as famílias com carências económicas, necessitadas de tudo. E, como é sabido, a falta de recursos é uma bola de neve. A ela juntam-se outros problemas, como a violência doméstica, maus tratos, depressão, alcoolismo, destruição do lar, …

E o nosso principal objectivo é dar a estas famílias ou ao que sobra delas um “empurrão” para conseguirem sair da situação em que se encontram. É preciso trabalhar muito para conseguir o “desmame” destas famílias, projectá-las para o futuro e, essencialmente, evitar que baixem os braços. E é este é o verdadeiro sentido, o verdadeiro fascínio do voluntariado!

Dou-vos alguns exemplos de vida. Não conhecemos muitos, mas conhecemos alguns: a Lúcia, a Carmen, a Sónia, a Lídia, o Antero e o nosso José Feliz. Não duvidamos um minuto que o vosso/nosso “empurrão” vá fazer toda a diferença no futuro de todos eles.

Insistimos na divulgação do NIB do José. Os vossos donativos são importantes para o seu futuro: 0038 0000 3867502177117.

Falei com o José. Contou-me que na 6ª feira passada, 2 senhoras Madeirenses, residentes em África do Sul, vieram pessoalmente à Madeira entregar ao José um donativo resultante de uma colecta efectuada num jantar organizado pelos nossos imigrantes naquele País. Também fiquei a saber que já recebeu a máquina fotográfica e que, muito brevemente, começará a fazer o seu trabalho para a DIMA. Os pensos já foram retirados de vez. A pele dos dedos continua sensível, no entanto, tem que apanhar ar, sol, etc, para ganhar a sua textura ideal.

Li algures queo amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos,… não esperes mais, fá-lo hoje, porque o amanhã pode nunca chegar,… Não dez azo para lamentares  o dia em que não tiveste tempo para um sorriso, um abraço ou para uma boa acçãopor teres estado muito ocupado.”

Ficamos à espera dos vossos e-mails e/ou telefonemas.

Juntamos algumas fotografias das recolhas efectuadas pela Ana. Não anexamos lista de prioridades porque tudo é necessário. No entanto, lembramos que não temos recebido calçado, o que está a fazer imensa falta.

Muito obrigada a todos e, por favor, continuem a PASSAR-A-PALAVRA. (…)

Ana e Ilda”

Fim de transcrição

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