solidariedade, bacalhau e carnes

Há momentos engraçados na vida, daqueles que nos surpreendem quando julgamos que estamos no lugar errado. Ontem vivi um desses momentos: fui Comadre por umas horas….da Academia do Bacalhau da Madeira. Isso mesmo! uma academia que é apenas de homens e para homens, os chamados Compadres. Só admitem mulheres como convidadas e acompanhantes de um Compadre em duas ocasiões: no jantar de Natal e no jantar de Aniversário, que foi o caso ontem. 23 anos celebrados, está de parabéns a Academia do Bacalhau da Madeira, presidida pelo Compadre Ricardo Dantas!

Sempre que via notícias nos jornais deste tipo de associação (Confraria das Carnes, Academia do Peixe, Academia do Bacalhau) questinava-me sobre o que levaria estes confrades e compadres a se reunirem e o que fariam para além daquelas vestimentas, cerimónias, comezainas e vinhadas…Pois ontem fiquei a saber um pouco mais sobre esta Academia e algumas suas congéneres.

Para além da idade madura da maioria dos Compadres, dos rituais do Gavião de Penacho “vai-acima-e-vai-abaixo” (copo de vinho pra dentro, já se vê!), fiquei a saber que esta Academia tem por missão a solidariedade social. Nestes eventos de confraternização, há recolha de donativos entre os Compadres, que depois são entregues a pessoas com necessidades, na forma de bens, como por exemplo cadeiras de rodas, bens de primeira necessidade, ajuda medicamentosa, etc. Esta Academia teve uma intervenção também no pós-temporal de Fevereiro 2010 na Madeira, tendo recebido das suas congéneres em vários países (França, Canadá, Venezuela,…) donativos recolhidos pelas comunidades portuguesas nesses países.

Uma das associações ontem presente como convidada neste jantar da Academia do Bacalhau da Madeira foi a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas de Caracas, Venezuela, representada pela Sra. Mary Monteiro. Através de jantares de beneficência efectuados pela Comunidade Portuguesa e Luso-Descendente na Venezuela, esta associação social recolheu e entregou 700.000 euros de donativos que entregou às entidades locais para a reconstrução da Madeira. No seu dia-a-dia na Venezuela, organizam ajuda a pessoas  carenciadas, idosas,sempre na forma do voluntariado e da associação social.

Porque estas “redes sociais” já existem há muito sem ser no actual formato da internet, as Academias partilham informação entre si e com outras congéneres. Convidado também o representante da Academia Madeirense das Carnes – Confraria Gastronómica da Madeira, Sr. Gregório Freitas, este explicou que o propósito da sua Confraria é a defesa dos pratos típicos da gastronomia madeirense mas que a missão de solidariedade social também é relevante nas suas acções.

Fiquei a saber um pouco mais sobre estas associações, cuja missão social eu desconhecia por completo. E tive a honra de ser Comadre por algumas horas :)

A noite terminou com música, numa interpretação duma canção de Max por um dos Compadres, e com momentos de humor também. Em jeito de provocação à Academia do Bacalhau, Mary Monteiro informou que, em Caracas, pertence também a Academia da Espetada, onde só entram…mulheres! ;)

Da próxima vez que eu vir uma notícia sobre uma qualquer destas Academias, saberei que são algo mais do que apenas a sua parte visível, os rituais.

Aqui deixo o meu obrigado ao Compadre que gentilmente me convidou para este evento.

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