media sociais na Madeira pós 20 Fevereiro 2010

O temporal  ocorrido em 20 de Fevereiro de 2010 na Madeira revelou e fomentou na ilha a importância das media sociais no divulgar da informação imediata, naquilo que agora se denomina frequentemente como  “jornalismo-cidadão”.

Se quisermos um paralelismo mais internacional para a compreensão desta nova forma de colaboração online, remeto-vos, por exemplo, para @CitizenEffect, um grupo de cidadãos que, logo após a tragédia da BP no Golfo do México, ajudou na divulgação de informação relevante e de organização de voluntariado para a tragédia como forma de ajuda para encontrar soluções de minimização dos efeitos sociais da catástrofe.

Estes são casos em que a cidadania se torna participativa, activa, imediata, responsável e poderosa e em que a utilização das redes sociais e das media sociais em geral potenciam a capacidade de acção.

Transcrevo parcialmente a minha opinião sobre este fenómeno, recentemente expressa e divulgada no Twitter em 16/06/2010, sobre a influência e as consequências da utilização deste novo meio no temporal da Madeira.

“As redes sociais englobam outras que não apenas o Twitter ou o Facebook. Vou restringir-me ao Twitter, aquela que estou a utilizar intensamente.

Realmente, considero que existe, na Madeira, em termos de utilização desta rede, um antes e um pós 20 Fevereiro 2010.

Dada a utilidade que esta rede teve aquando do temporal, a sua utilização como fonte de informação tem vindo a expandir-se bastante, não só em termos de acontecimentos diários mas, sobretudo, como forma de divulgação das potencialidades económicas locais.

É agora bastante visível a presença intensiva de hotéis na timeline,  tal como de actividades de animação (passeios turísticos, actividades ligadas ao mar, animação nocturna, restauração).

A adesão, pós 20 de Fevereiro, das entidades governamentais locais ao Twitter é outra das consequências notórias desta mudança e o reconhecimento de que as redes sociais são, neste momento, um media onde a presença é necessária como potenciadora das actividades de promoção formais.

Pelo facto de estarmos numa ilha, com as limitações naturais que a geografia impõe, a utilização do Twitter tem sido uma lufada de ar fresco em termos informativos. Apesar da existência anterior da web como fonte de informação diversificada, certo é que a interacção que existe nas redes sociais e, no caso específico no Twitter, é uma das formas mais rápidas de se alargar horizontes, de “ir lá fora” ver o que está a acontecer nas ruas mas, sobretudo,  de ver as novas formas de fazer, a utilização de novas tecnologias, as capacidades que estas têm de nos aproximar a níveis mais vastos de conhecimento.

Um dos registos visíveis da expansão do Twitter na Madeira tem sido também a capacidade de “saltarmos” dos nossos monitores para a interacção pessoal. Como madeirense, sei que existe uma timidez natural em tomarmos a iniciativa, em participarmos activamente, em darmos um passo fora da nossa zona de conforto. Isso está a mudar também e sente-se. Exemplos visíveis disso são os já habituais #madphotowalk e o recente #twittgourmet1.

O #madphotowalk (um passeio a pé com máquina fotográfica e divulgação das fotos online) surgiu pós temporal:  aproveitou sinergias de um twitterer que se deslocou à Madeira para dar um workshop de fotografia, aliou-se à necessidade de um grupo de cidadãos (naturais e novos residentes) de mostrar a reconstrução e promover a ilha, como forma de ajudar à recuperação da economia regional, e tudo isto aliado a um novo prazer: o de conhecer pessoalmente as pessoas que diariamente convivem connosco no écran do nosso computador. Consequência: além da descoberta de talentosos fotógrafos amadores, alguns dos novos photowalkers já criaram conta no Twitter e o movimento já demonstrou capacidades de promoção.

O #twittgourmet1 aproveitou também esta nova capacidade de mobilização a partir das redes sociais: evento privado, uniu pessoas do Twitter mas também do Facebook e outras,  promoveu um local de restauração e divulgou o Twitter como plataforma gratuita e constante de formação e participação do cidadão comum. Esperam-se, consequentemente, novos aderentes à rede.

Entendo que as redes sociais potenciam ideias, divulgam maior conhecimento mas também exigem acção mais rápida quando necessária. A utilização do Twitter no temporal da Madeira ajudou a divulgar as necessidades do voluntariado mas também potenciou decisões de entidades governamentais ou  não lucrativas. De forma mais global, o recente exemplo no caso do derrame de óleo da BP é uma outra prova desta exigência de rapidez na decisão e na divulgação.  (…)”

Posterior a este texto publicado, aconteceu já um #TwittGourmet2. Acontecerá também, neste próximo Sábado 31/7/2010, um novo encontro de twitterers da Madeira num jantar designado #espetada2010, que será precedido de um #madphotowalk cujo tema será a divulgação da cidade de Machico. Prevê-se um bom momento de convívio, permitindo interacção com pessoas até agora desconhecidas e com um bom objectivo de divulgação da região onde vivemos.

Por uma cidadania activa!

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