Atlântico: a Norte e a Sul

Decorre actualmente em Lisboa a cimeira da NATO e todo o aparato habitual envolvente está a captar a atenção toda a gente, nacional e internacional.

A mim, agrada-me a cimeira da NATO em Lisboa! Agrada-me sentir o meu País no centro das atenções mundiais por razões que não sejam o FMI, a dívida pública, a diminuição dos ratings, a politiquice nacional sem solução e outras razões habituais de abate do orgulho nacional.

Mas agrada-me esta cimeira não porque o Presidente Obama ou o Presidente do Afeganistão estão por cá, mas sim por questões de estratégia! Quando se fala de Portugal sempre como o “coitadinho do país que fica no rabo da Europa”, eu alegro-me por estar num País que está de frente para o Oceano Atlântico. E a cimeira da NATO é nisso um excelente exemplo. Para além da importância estratégica que Portugal representa por força dos dois arquipélagos que limitam a entrada do Mediterrâneo (Madeira e Açores) e pela base de apoio (Lajes) para a maior potência militar do mundo actual (EUA), Portugal é o país europeu por excelência para agir como elo entre esta NATO e a sua congénere em preparação, a Organização do Tratado do Atlântico Sul.

Na recente Conferência Internacional do Funchal – Merecer o Futuro, o Prof Dr Viriato Soromenho-Marques mencionou a eminência da formação desta organização, cujo eixo forte preconizou na ligação EUA-Brasil-Angola e na força que a língua Portuguesa virá a desempenhar neste triângulo, bem como na ligação evidentemente necessária entre esta nova plataforma de defesa e Portugal, como porta de entrada na Europa.

Num mundo em que o exercício do poder funciona em detrimento da solidariedade, não pensemos que a esta nova aliança se faria de ligações emocionais com estes países lusófonos, em especial com o Brasil. Pelo contrário, a ligação de interesses políticos, económicos e militares é que seria o denominador comum, potenciado, claro, pela língua comum do eixo sul.

Deixemos, pois, de pensar apenas nas despesas que representam os alojamentos das comitivas da NATO ou nos incómodos que as forças de segurança provocam no trânsito ou nos residentes duma zona limitada da cidade e pensemos, antes, na importância e relevância que esta cimeira está a dar a Portugal, a todos os níveis: mediático, político e estratégico.

Portugal está de frente para o Atlântico. A Europa está atrás e poderá ter que pôr-se em bicos de pés para ver o que se passa a Sul.

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