depois, vem o futuro…

Aproxima-se a passos largos o final de ano e chega aquele momento em que sempre temos a necessidade de fazer um balanço das actividades.

2010 foi um ano complicado para mim, a todos os níveis: profissional, pessoal, familiar.

Primeiros meses do ano a trabalhar completamente sozinha num escritório que já contara com uma equipa de 8 a 10 pessoas diariamente. Disciplina mental e organização mantiveram-me à frente do escritório local, a manter informação para a sucursal em Lisboa. Passavam-se dias, no entanto, em que das 9 às 18 não falava directamente com ninguém. Chegou Julho e recebi a notícia que não foi grande surpresa: a empresa internacional,  onde trabalhei durante mais de seis anos, resolveu fechar as instalações aqui na Madeira, pelo que  fui dispensada. Agosto foi o mês do desemprego.

Meados de Agosto foi para descansar, reactivar energias e renovar ideias. Porto Santo foi uma opção de tranquilidade, descanso, bom sol, boa praia, com crianças da família a fazer companhia, uma animação boa mas calma.

Em Setembro, comecei a organizar a mesa de trabalho em casa, a arrumar o computador ainda com restos dos seis anos de trabalho passado. Redes sociais em força, como fonte de leitura constante, informação e formação online. Marketing, Relações Públicas, Comunicação, Organização de eventos, Promoção de negócios locais, tudo áreas do meu interesse e nas quais quero inserir-me pois entendo que posso dar um contributo na valorização dos recursos locais, que tanto necessitam uma melhor divulgação e promoção. O meu dia-a-dia nas redes é essencialmente a busca constante de (in)formação nessas áreas, por forma a colmatar a ausência de formação a nível superior, complementando assim os conhecimentos práticos duma vida profissional de secretariado em áreas diversas com novas competências a nível de comunicação de conteúdos online.

Quando a minha preocupação pela perda do emprego estava focada na concentração pela aquisição de novas competências e na perspectivação de novos rumos, eis que, na primeira semana de Setembro, a perda dum irmão muito próximo, na idade e na convivência de 43 anos, fez-me perder o chão, perder o norte e perder visão. Desde então, os dias foram absorvidos, na totalidade, pela necessidade dum forte apoio à família, em termos práticos e emocionais, a todos os níveis. A perda dum irmão, dum pai, dum marido, dum filho, em circunstâncias difíceis de aceitar para qualquer ser humano, afectou-me demais para que conseguisse manter a minha concentração em mim própria. As necessidades de outros tornaram-se prementes e urgentes e coube-me não só a necessidade do apoio físico e emocional mas também (pela facilidade que os meus conhecimentos profissionais de longos anos me deram), a tarefa não fácil nem curta de tratar da burocracia administrativa legal em caso de óbito. Tarefa não fácil e que me dá a sensação de, naquele dossier pesado que anda comigo há quase três meses para cá e para lá, trazer toda uma vida duma pessoa que me é tão querida.

Não tem sido fácil retomar a minha concentração no novo rumo que tenho que perspectivar, em termos profissionais. Lentamente, vou regressando às redes e a fazer descobertas diárias. Lentamente também, vou retomando a disciplina mental de concentração no que é essencial, por forma a não me perder na imensidão e no barulho destas redes. Lentamente, a vida familiar vai retomando uma certa normalidade que ainda vai enfrentar um grande desafio de contenção e de capacidade de ultrapassar um trauma, nesta quadra natalícia que se avizinha, tão difícil em situações de perda. Na Madeira, Dezembro é o chamado “mês da Festa”, um mês em que já toda a gente pensa mais no Natal e nas festas de fim-de-ano do que em trabalho. Custa concentrar-se, novamente, naquilo que é essencial para nós, quando toda a colectividade privilegia o convívio, a festa, a alegria, a partilha.

Por outro lado, o cenário de crise geral que nos envolve a todos não é animador mas representa antes um desafio para a mudança, se formos capazes de descobrir as nossas próprias energias, sinergias e capacidades criativas, bem como a força motriz necessária para colocar ideias em acção.

É neste cenário global que me insiro, numa idade que já não é de juventude, quatro meses após ter ficado sem actividade profissional fixa e constante a que estive habituada nos últimos vinte e tal anos. 2011 é um ano de receios mas um ano que, para mim, terá que ser de mudança. Terei de concentrar-me nisso, procurar parcerias, soluções, criar caminhos. Fico sempre agradecida à comunidade virtual e a quem me conhece pessoalmente por quaisquer indicações, sugestões, opiniões e conselhos que me ajudem nesta empreitada.

Até lá, venha o Pai Natal, o cheiro das broas e do bolo-de-mel, os licores, as memórias, os abraços amigos de quem só se encontra nesta altura do ano, as visitas dos vizinhos e dos familiares, o fogo-de-artifício na baía do Funchal, o ano novo. Então, espero que chegue a calma e a serenidade, duas condições  que me são absolutamente essencias à minha forma de ser para que possa concentrar-me.

Depois, vem o futuro…

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