santos populares na Madeira

O mês de Junho é o mês das Festas dos Santos Populares: Santo António, São João, São Pedro são festejados em força aqui na Madeira.

Estas festas, alegres e de convívios nocturnos de rua, de quintais, terraços, esplanadas, jardins, são vividas de forma diferente, cada uma a seu jeito.

Santo António, o casamenteiro, é por inerência aquele que protege os namorados e lhes promete o casamento eterno, pelos pedidos que lhe são feitos por corações apaixonados. A Madeira associou-se recentemente ao célebre evento “Casamentos de Santo António” (no qual vários casais vão à Igreja ao mesmo tempo e ali firmam os seus votos) oferecendo aos recém-casados a lua-de-mel nesta Ilha. Ao Santo, dedicam-se quadras com pedidos de namorado e marido jeitosos e deitam-se as sortes mais variadas para adivinhar o que o destino reserva a cada uma, solteira, viúva ou casada.

São João é folião. Gosta de balões e enfeites, música, danças e fogueiras. Manda a tradição que se faça a fogueira maior que se consiga, com tudo o que é velho ou já não tenha uso (desde cadeiras a trapos, vassouras ou troncos de árvore secos) e que, fogueira bem alta, saltem os namorados por cima, mão na mão, para firmarem no calor do fogo os seus amores. Esta tradição é antiga, ainda muito celebrada nas zonas rurais e infelizmente já impossível nas ruas citadinas.

A Ceia de São João é obrigatória: atum salpresado, feijão maduro com casca, maçaroca, semilha e batata, tudo cozido e temperado com azeite e vinagre, uma delícia pela sua simplicidade e sabor.

No Porto Santo, onde o São João é o padroeiro, a festa é forte nas noites quentes e o centro da Vila Baleira fica apinhado de gente. A animação das Marchas Populares estende-se pelos bares de praia e pelas ruas, com jovens e menos jovens a ficar até bem tarde pelas ruas.

A ida nocturna ao Cais da cidade é obrigatória por ser da praxe e propiciar as conversas e os encontros. Na noite de 23, a célebre largada dos balões na praia é um evento bonito e uma competição feroz entre os que lutam pela maior longevidade do seu balão no ar, com a lamparina acesa. Os balões são grandes, feitos em papel, e sobem pela acção do aquecimento do ar pela vela acesa no seu interior. E fica o céu cheio de luzinhas e balões que se vão apagando ou incendiando e caindo no mar quando têm menos sorte de vento ou menos arte de construção.

São Pedro é a festa dos pescadores. Por incrível que seja, manda a tradição que se faça a festa a comer…espetada à beira-mar, talvez porque os pescadores se tenham fartado de comer peixe quando estão no mar… Festa rija em muitas localidades à beira-mar, como Câmara de Lobos ou Paúl do Mar e Jardim do Mar,  mas especialmente na Ribeira Brava, onde é o padroeiro da vila agora cidade e cujas ruas e vielas mas, sobretudo, a praia se enchem de gente a grelhar a carne fresca (cortada aos cubos e enfiada no espeto) nos braseiros ou fogueiras à beira-mar. Não falta a música popular, o vinho e a cerveja regional. A noite costuma acabar com banhos nocturnos por vezes até ousados, silenciosos ou barulhentos conforme os sentimentos ou a acção do álcool.

Novos e idosos gostam dos Santos Populares. Os primeiros porque são noites de festas de rua, os segundos porque se lembram dos velhos tempos de mocidade em que eram os dias ideais para bailaricos e namoricos.

Não há crise que impeça estas festividades, bem enraizadas na tradição popular e que não requerem muito mais do que alegria, pão e vinho na mesa, música a tocar no rádio e um bom grupo de amigos ou familiares bem dispostos para uma boa animação de conversa e de bailarico no quintal.

E aí, na vossa terra? Como festejam estes Santos?

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